“É aquele filme para desligar o seu cérebro e se divertir”, eu detesto quando as pessoas apelam para esse subterfúgio, para fugir de uma análise dos pontos negativos de um filme. No entanto, como sentir algo diferente por Projeto X. Lembra Superbad, lembra Cloverfield, mas sem a alma do primeiro, e sem o cérebro do segundo. Talvez por usar a roupagem de um mockumentary (um documentário de mentira), perdoa-se o desenvolvimento capenga dos personagens. Não que não tenham personagens que eu tenha gostado de cara, exemplo do gordinho que veste a melhor roupa para a festa, e paga mico, ou o coroa inadequado que quer se enturmar com a garotada, ou a dupla franzina de seguranças que proporcionam boas risadas sem grande esforço. Mas, o aniversariante Thomas, é um Michael Cera um pouco mais alto, magrelo e feio, não passa muita coisa, e seu romance raso com sua melhor amiga linda, apela para um clichê para abrir um sorriso no rosto das garotas no final, e Castor parece uma versão bunda suja do Gordinho do Superbad., embora a ousadia do personagem me agrade, não é alguém a procura de redenção, é um moleque sórdido mesmo, que com facilidade você encontra na sala de exibição desse filme. E por falar em facilidade, tá aí um pouco que me incomoda no filme, que aquelas 1.000 gatas dignas da victoria secrets tenham se convencido com tanta facilidade a ir a festa do loser Thomas, somente pelo boca a boca. Claro que é revelado em um momento posterior que havia sido anunciada a festa em duas rádios e um site de relacionamentos, mas não parece lá muito verossímil que tenha sido tão fácil. O filme que começa no estilo handycam quando é realizada a festa, se torna uma filmagem digna de 50 Cent, com as bela mulheres de topless mergulhando na piscina, e dançarinos frenéticos, e viciados em extasy por toda a parte. Há de se destacar a cena do traficante incendiário, uma das que mais me fizeram rir pelo extremo do absurdo como foi executada, e original de certa forma, já que o mais simples seria aparecer o homem armado com uma pistola na festa e pronto, mas o exagero épico, que fez com a festa de Thomas não fosse uma simples farra de quem está fazendo barulho na vizinhança. E ver Thomas sofrendo a consequência de seus atos também foi uma boa, ao invés de tocar Tears for Fears com pipocas voando no final. O filme se conclui com D12, a banda do Eminem, mas o ideal seria ter terminado com You have to fight for your right to party dos Beastie Boys. Um filme bom para uma pré-night ou pré-balada, sendo SuperBad um bom After Hours.
A Origem não é tão complexo como pregam, mas discordo de quem diz que é isento de profundidade. Falemos um pouco dos prováveis erros da trama. Dar o bastão de protagonista ao personagem Dom (Leonardo DiCaprio) foi o primeiro erro, não que ele faça feio, muito pelo contrário, mas quando você pretende expor o público a uma atmosfera completamente desconhecida, é preciso ter como protagonista o personagem que faça a ponte de ligação. No caso aqui o correto seria que essa tarefa fosse passada a Ariadne (Ellen Page), pois ela é a estranha a esse mundo extraordinário dos sonhos compartilhados, ela assim como o público que deve lidar com esse novo universo. Dessa forma a rapidez em que ela se sente a vontade de cara no tal mundo, já é a primeira falha. Se a Ariadne é o Neo desse universo e Dom é o Morpheus haveria de ter um período maior de aprendizado. Usando as palavras do próprio filme, bastavam 5 minutos para ter essa sensação de longevidade. Mas, pois bem, se Ellen Page tem que ser sempre a menina prodígio, que seja, mas o pulo de decisão de Ariadne para partir nesse mundo estranho de um frame para o seguinte eu achei ruim, pois a personagem não tem que abandonar a segurança do lar, horários, obrigações e nem mesmo um namorado para sentir falta dela, simplesmente disponível para ser A arquiteta, tarefa a qual Dom só a incube por causa do fantasma de Mal (Marion Cotillard), sua falecida esposa, que o impede de realizar tal tarefa. Daí parte as questões mais delicadas do filme, a possível responsabilidade que Dom teria na morte da esposa, e que no terceiro ato dá a resposta do porque este seria capaz de cometer a Inserção da Idéia. Gordon-Levitt na pele de Arthur é quem protagoniza as melhores cenas do filme, pois é a ponte de ligação das três camadas de sonho: O carro caindo, O mundo sem gravidade e A nevasca, cenas que já haviam sido expostas no trailer, mas como é de costume nos filmes do Nolan, você viu no trailer, mas quando você descobre o verdadeiro sentido daquilo no filme é simplesmente maravilhoso sabe. Mas, usando as palavras de um dos personagens do filme: “Você não pode se privar de sonhar mais alto”, e acho que faltou isso a Christopher Nolan, um personagem com poder de subverter aquele mundo dos sonhos compartilhados, Um Vilão, e não um fantasma de uma mulher falecida, e creio que poderia ser o Saito (Ken Watanabe) que poderia querer disparar contra Fisher (Cillian Murphy) para deixá-lo de propósito no limbo, e se era para ousar porque não a Ariadne (Ellen Page)? Que poderia muito bem propor a criação do universo de sonhos ao seu bel prazer, se tornado uma Rainha, e tal idéia foi muito bem concebida em A Cela protagonizado por Jennifer Lopez, em que a mesma tem seus momentos de fraqueza e sonhos de glória. No entanto a despeito dos claros defeitos, são simplesmente sensacionais o ritmo acelerado da edição, a trilha estupenda de Hans Zimmer e aquele totem girando sob a mesa ao final da projeção, me fizeram sair do cinema com um sorriso de satisfação. A Origem não é impossível de entender, você só não pode dormir no ponto.