A cena mais triste do filme é a que se aproxima de sua conclusão, em que a Sr.ª Daisy (Cate Blanchett) olha para os olhos do bebê Benjamin e constata que ele a reconheceu e o mesmo fecha os olhos dando um fim aos seus 80 anos de vida. E que vida ele levou. Navegou, participou de uma batalha em alto-mar, deitou-se com mulheres da vida, amou duas mulheres, uma que adorava a sua companhia, e conversando toda a noite até o amanhecer (Elizabeth - Tilda Swinton) e a outra Daisy (Cate Blanchett) o amor de sua vida, a mulher pela qual ele queria “envelhecer” ao seu lado. Nessa vida ao contrário, Benjamin (Brad Pitt) viu muitos dos seus morrerem “cedo”, ele que foi deixado na porta de um Asilo por seu pai (Thomas Button - Jason Flemyng), sendo acolhido por uma jovem (Queenie -Taraji P. Henson) que não poderia ter filhos, e apesar dele ser diferente, era uma criatura de Deus como qualquer outra. Se você pensar bem pessoas idosas não deixam de voltar a ser crianças de certa forma. Acabam voltando as fraudas de qualquer jeito. E passar os anos e ter a sensação que está mais sadio e mais jovem, não é uma exclusividade da ficção. É engraçado quando o Capitão (Jared Harris) questiona Benjamin se com “todo o seu tempo de vida” nunca tinha conhecido uma mulher e após ouvir a resposta retruca de como aquilo era triste. Tal a intimidade do espectador com a estória, que acaba sendo convencido da virgindade daquele menino velho. Quando ele vai rejuvenescendo e na medida em que chega ao ponto em que a mulheres da sala escura começam a fazer fiu-fiu, você acaba achando que o trabalho de Brad Pitt nessa etapa do filme acabou e que tudo seria mais fácil, e que não haveria mais o porque de ficar envolvido com a estória. Que nada. É triste quando Benjamin chega a conclusão do inevitável após a informação da gravidez de sua amada Daisy, constata que não poderia ter uma vida como a de qualquer pessoa. Que sua velhice precoce, não se comparava ao ardor de sua inevitável juventude, e que não poderia ser pai, e que muito menos poderia fazer sua mulher se tornar a sua mãe. Por isso ele se afasta, vai ver o mundo experimentar as mais diversas sensações, conhecer diferentes povos e cada lugar que ele foi, fazendo questão de enviar uma mensagem a sua filha de como gostaria de estar presente e as lições que a vida estava lhe dando. E Caroline (Julia Ormond) nesse momento em que esta lendo essa parte de seu diário sente vontade de ter conhecido melhor seu pai, e não ter apenas cumprimentado ele uma única vez aos 12 anos. É um filme diferente de outros que eu vi que falam sobre a passagem brusca do tempo. E fiquei atordoado com a imagem do Benjamin aos 12, sem memória, sem novos rumos e evidentemente sem um futuro. Porque se em Click do Adam Sandler e o Homem Bicentenário do Robin Willians, te dão a sensação que ainda dá tempo, nesse você sai da sala com aquela coisa de: ”Eu não fiz nada ainda” ou “Tudo passa rápido demais”. O que eu posso dizer como um alento que o filme não nós dá? Sinceramente, não sei. Prefiro fechar o texto com a clássica frase de John Lennon: “A vida é aquilo que acontece com você, enquanto está ocupado fazendo planos“.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
O Curioso Caso de Benjamin Button
WATCHMEN

Bastardos Inglórios

Esse foi o ano dos filmes da 2.ª Guerra Mundial, tivemos O Leitor de Stephen Daldry, Operação Valkiria de Bryan Singer e no Brasil, Tempos de Paz que fala do drama de um Polonês que sobreviveu aos horrores da Guerra. Levando em conta que O Leitor questiona o que você faria no lugar deles, Valkiria fala dos que lutaram contra o regime estabelecido, e Tempos de Paz dos pontos em comum entre as torturas de guerra e os porões da ditadura, consideramos que todos têm em comum, buscar na realidade uma base para poder discutir bem o assunto. Bastardos Inglórios, não tem essa pretensão, até disserta bem sobre certos fatos históricos, cinematográficos e faz divertidas referencias, mas deve ser encarado com a mesma seriedade de alguém que está assistindo a Kill Bill Vol.1 ou Vol.2. Ou seja, não pense que ira a sala de cinema assistir a uma obra edificante no que tange ao ponto de vista histórico e tudo mais. Não, apesar de ser ambientado na segunda guerra, é cinema para diversão, assim como qualquer outra obra que Tarantino tenha realizado até hoje. Mas, claro, ele realiza isso da maneira mais refinada possível, e na força dos idiomas e diálogos que prendem nossa atenção durante 153min. de duração. Sem dúvida nenhuma o grande destaque do filme fica por conta do oficial Landa (Christoph Waltz), com seus interrogatórios inteligentes e precisos, e todos os seus trejeitos e sua habilidade em falar várias línguas. Bate uma certa frustração em o cartaz destacar tanto os Bastardos, mas aquilo que o trailer vende, não chega a ser a gasolina do filme. Temos sim os escalpos e a violência pontual de Taranta, mas reside no terror psicológico, os pontos de maior violência do filme. A subtrama da francesa Emanuelle (Mélanie Laurent) dá um rumo muito mais interessante ao filme do que as pretensões dos Bastardos.
INVICTUS

Nenhum povo entende tanto quanto o brasileiro o quão a proximidade do esporte do povo, dá este a moral para seguir bem os seus dias. Para uma parcela ganhar uma copa do mundo não traz benefícios ao povo, pois os países desenvolvidos levam bomba nos esportes e tem um bom um desenvolvimento político. Ora, esse é um pensamento que vê de um ângulo muito pequeno a situação. Com tantas mazelas políticas ver pessoas ganhando honestamente a vida e vencendo com o seu suor e representando o país no exterior é uma maneira mais do que justa de demonstrar o Brasil que deu certo. Mas, porque essa introdução se o texto é para falar de Invictus, que retrata um time de rúgbi da África do Sul? Bem, o esporte é outro, mas a intenção de Madiba, ou melhor, Mandela foi a mesma, quando tomou as dores dos Springboks, um time de Rúgbi com poucas chances na Copa do Mundo. A discussão do medo e do rancor envereda muito bem pelo filme, o medo na figura do chefe de segurança de Mandela, sempre a espera de algum atentado ao Presidente Africano, e rancor nas declarações dos personagens que não compreendem porque Mandela resolveu apoiar entre claras aspas seus algozes. Tirar de uma parcela do povo o que ela presa, não é uma forma de suprir uma antiga injustiça, Mandela queria demonstrar a mudança de sua gestão, que o fim do Apartheid teria que trazer benefícios tanto aos de pele clara quanto os de escura. Daí vem o herói do filme François Pienaar, muito bem interpretado por um parrudo Matt Damon, alguém sem mácula que inspirado por um grande líder vai lá lutar por seu país. O Clint Eastwood gosta de trabalhar com personagens que mudam de idéia no decorrer da trama, aprendendo algo importante. E parece que tem certa queda pela cor verde, vide a Menina de Ouro. A realização de um filme com um final feliz, quem diria, assim como os personagens de seus filmes marcados por uma drástica mudança de idéia, creio que talvez Clint Eastwood esteja mudando também as suas.
GRAN TORINO

Deixe ela entrar

U.S. x John Lennon

Essas e outras perguntas encontram resposta
Scott Pilgrim contra O Mundo

Scott Pilgrim é o melhor filme inspirado em vídeo games já feito até hoje a despeito de ser uma adaptação de quadrinhos. Há duas maneiras de analisar Scott Pilgrim, uma pelo primor de seus efeitos especiais e coreografia que pode ser posta sem parecer que está sendo superestimado ao lado de Kill Bill, nesse formato oriental com rostos ocidentais e outra pelo seu teor comédia romântica que vou deixar para as últimas linhas do texto para comentar. Ninguém olha para Michael Cera esperando que seja o tipo de pessoa que vá se dar bem numa briga, mas o magricela por um milagre de boa direção consegue convencer na pele do garoto brigão dos quadrinhos. Talvez, a motivação desse Daniel San do século XXI, reforce a crença, pois quem não cairia na porrada por Ramona Flowers?? O filme que trabalha na mesma velocidade de uma sitcom, em que as piadas são atiradas por segundo na tela, tendo até direito a uma breve homenagem a Seinfeld, soma coisas que serão reconhecidas por quem jogou Mario Bros. nos anos 90 como por ex. os oponentes virarem moedas quando abatidos, ou Street Fighter, com o famoso K.O!!! vindo na tela. Aliais desde o Batman de Adam West que não se vê tantas onomatopéias tão bem utilizadas em cenas de luta, o que hoje surge do resultado de efeitos especiais muito bem feitos, e cenas de lutas diferentes e bem construídas. Quem há de esquecer Brandon Roth, eternamente vaiado por Superman,O Retorno, encarnando um roqueiro vegetariano com poderes paranormais, travando uma Bass Battle com Scott Pilgrim. E destaco que a minha seqüência de luta preferida seja mesmo a da ex namorada lésbica de Ramona que quando rodopia para dar um chute em Scott tem seu pé parado no ar por Ramona e se vê na tela entre elas as letras VS, é sensacional, toda a seqüência e sua hilária e até imprópria conclusão. Falando do lado comédia romântica, peca, sabe, pois toda a preocupação que se tem em formatar como uma excelente fábula de vídeo game, lhe falta para o lado comédia romântica, talvez a alma indie de um Juno ou mesmo um Brilho Eterno de uma mente sem lembranças, não é dada a Michael Cera a oportunidade de ir além óbvio. Essas limitações de atuação de Michael Cera, só são suprimidas nos momentos de explosão do Scott Pilgrim, mas quando para e fala sério, não dá para o rapaz. A Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead), apesar de por vezes ser frigida ainda assim você consegue vislumbrar uma alma para a personagem, o que não acontece com Scott, quando no terceiro ato ele diz que está lutando porque ama a Ramona, durante todo o tempo da projeção todos deveriam estar convencidos, mas não rola, pela falta de química dos personagens. É o grande problema do filme, o Scott Pilgrim é um cara fanfarrão que muda de uma namorada para outra sem nem estar aí, talvez pela debilidade de Michael Cera convencer como um sujeito assim, e mais como aquele cara frágil, bem banana, que a meninas sentem uma queda, mas por o filme ser muito engraçadinho, você não se incomoda com os momentos pseudo românticos. É por isso que para mim como comédia romântica vale apenas um ingresso, como filme inspirado em vídeo games vale três ingressos, subtraindo, chegamos a dois ingressos. Ah, sim, devo dizer aqui que graças ao Grupo Estação consegui assistir ao filme no Estação Botafogo no dia de sábado, pois eis que a distribuição da Universal no Brasil não foi nada camarada. GAME OVER
VALE DOIS INGRESSOS
Blue Valentine
É desagradável pensar que os melhores filmes sobre amor sejam justamente os que retratam fins de relacionamentos: Apenas o Fim, Separados pelo Casamento, 500 dias com ela... enfim, Blue Valentine (me recuso a dizer o título do filme em português, é vergonhoso!!), entra nessa boa galeria. Sob um prisma de ponto de vista mais feminino sobre a questão, uma mulher inteligente e seus relacionamentos com idiotas possessivos (não a priori, por culpa dela é bem verdade). Michelle Willians passeia pela simpatia e antipatia de Cindy, e talvez a única personagem que é beneficiada com a falta de linearidade da trama. Há coisas em que num primeiro instante parecem que vão ter uma importância mais a frente, mas são dissolvidas da trama como castelos de areia, como a devoção de Dean (Ryan Gosling) com o idoso Walter ou mesmo a cadela morta do casal, mas nenhum desses elementos parecem ter muita importância para a trama que segue mesmo focada no casal protagonista. Dean tem claras desvantagens em relação a Cindy, a começar pela aparência, enquanto Dean tem aparência cansada e um modo acomodado de encarar a vida em um emprego que não gosta e mantendo o seu alcoolismo, Cindy ainda é uma mulher atraente e ainda leva a sério seu desejo de ser bem sucedida sendo uma médica, enquanto Dean não consegue ser mais desejado pela própria mulher e apesar de seus claros dotes musicais e nas palavras da própria Cindy em certo ponto do filme bom em tudo que faz, prefere continuar apenas sustentando sua família sem maiores expectativas. O Ping Pong do início e final de relacionamento acaba que desgastando momentos cândidos como a música que Dean faz para Cindy tocando uquelele e esta sapateia de forma que isoladamente torna a cena um clássico.
VALE DOIS INGRESSOS
Um Lugar Qualquer (somewhere)
O público sente pelo início da projeção de Somewhere ou Um Lugar Qualquer, ao assistir a Ferrari preta de Johnny Marco (Sthephen Dorff) dando ininterruptas voltas, a sensação é que o filme terá o tom de fardo durante os seus 90 min. de duração. E o que se vê na cena seguinte é Johnny exausto deitado na cama assistindo ao show de pole dance de 2 gêmeas loiras lindas ao som de My Hero do Foo Fighters e você acaba indignado pelo fato daquele idiota simplesmente fechar os olhos e dormir. E vão se sucedendo cenas e cada vez o público se inclina na cadeira de cinema em posição de sono. Mas aí eis que surge na tela o raio de sol Cleo, a linda Elle Fanning, e sim ela é irmã da Dakota, eis que voltamos a ter a mesma sensação positiva que tivemos ao assistir ao trailer. Sei que é lugar comum, você considerar o trailer melhor do que o filme em si, afinal na edição do trailer fazem o recorte das cenas mais agradáveis, ou veem como é mais viável vender o filme, se alguém quisesse vender Somewhere como comédia conseguiria, e sem dúvida como um drama também, no caso desse é vendido como um filme sobre Pai e Filha. Pois bem, será realmente um filme pai e filha, ou o filme sobre um cara que não soube fazer as escolhas certas? Se for a segunda opção o filme melhora para mim, pois se você crer que na verdade Johnny tinha aptidão para música e não atuação é possível catar pequenas informações sobre ao longo da projeção. Falo dele se vestir com uma camisa com o logo da gravadora independente SubPop, dele ter uma camisa do Black Flag a qual está vestido quando cobrem a sua cabeça de maquiagem para fazer o molde de sua cabeça, e em seguida vemos o trabalho pronto com ele com o rosto de um homem idoso, e muito embora jogar bem Guitar Hero não qualifique ninguém para ser um bom músico, eis que se torna mais uma informação que o rapaz escolheu a profissão errada. Agora se for visto como um filme sobre pai e filha, acho que acaba por ser um espetáculo a parte para a Cleo nas cenas do Guitar Hero, dela patinando perfeitamente, dela cozinhando hambúrgueres, o olhar feio dela para o pai quando uma de suas amantes toma café da manhã junto com eles, e por fim o grande catalisador que vimos no trailer que é a cena da piscina ao som de I'll Try Anything Once do Julian Casablancas uma versão pirata de You only live once dos Strokes, só dá ela. É visível que Sophia Coppola quis realizar um filme para ficar ao lado de Encontros e Desencontros na prateira de DVDs, mas o que conseguiu no fim das contas foi realizar um filme chato.
VALE UM INGRESSO
À Prova de Morte (Death Proof)

À Prova de morte é um filme do Tarantino que faz referencia ao próprio. Desde um celular tocando um assovio de Kill Bill ao Red Apple, Tarantino demonstra seu lado narcisista. Creio que o tema do filme seja esse: A vaidade. Gostosas inacreditáveis rebolam seus lindos corpos usando shortinhos dos mais agradáveis aos olhos masculinos, e alguns femininos é bem verdade, enquanto as garotas podem desfrutar do charme de Kurt Russel na pele do Dublê Mike. Ainda se pautando na força dos diálogos, Tarantino tem o dom de escolher músicas certas para determinada cena. Aqui a que ganha o ar de antológica é sem dúvida a trilha da dança suja da gostosa Butterfly (Vanessa Ferlito). Quentin aproveita para tirar um sarro dos fãs de John Hughes, e digo bons tempos que filme menininha era os dele, e sobra também para 90 min. com a Angie. Eu fui ao cinema munido de algumas informações, uma delas que o filme se dividiria na primeira parte bem Tarantino e a segunda parte, seria o Tarantino fingindo que foi realizado por outro diretor, mas creio que diferente de muita gente que falou, o filme não perde um fio de cabelo de Tarantino (apesar que cá entre nós, o mesmo está ficando meio careca). A verborragia, a trilha sonora impecável e o feminismo durão suas marcas registradas são do começo ao fim.
Capitão América: O Primeiro Vingador
by.Queiroz
Será que é injusto dizer que a melhor atuação de Cris Evans é de seu rosto digitalmente posto no corpo franzino de Steve Rogers? Não mesmo, e foi exatamente o que me comprou no filme. Aquela coragem daquele magricela da qual só faltava a força de um Super Herói. Acho até que o primeiro Homem de Ferro, consegue imprimir um pouco mais de realismo e seriedade, mas no Capitão América isso é desnecessário. Eu antes de ver o filme achei que deveria ser um “Resgate do Soldado Ryan”, com a presença de um super herói, mas depois de assistir, percebi que Capitão América é tão fantasia quanto Thor. E gostei do Capitão América ser designado apenas para essas operações especiais contra a Hidra, pois já caiu no desgaste essa coisa de HQs x História. E no começo o Caveira Vermelha, interpretado pelo sempre bom vilão Hugo Weaving, falando do Cubo de Odin, me lembrou os vilões do Indiana Jones, gostei. Eu também gostei das cenas de ação, principalmente o primeiro confronto do Capitão América com o Caveira Vermelha. E indispensável aquela surrealidade de existir a revista em quadrinho dentro do filme, bem ao estilo do que já tinha sido visto no filme Hellboy, muito bom mesmo. Dos Vingadores, Steve Rogers foi o que teve o romance mais convincente com sua Peggy Carter, interpretada pela linda Hayley Atwell, tendo um bonito desfeixo na trama. Mas, muito embora eu tenha gostado do ritmo acelerado do filme, o Caveira Vermelha e a Hidra mereciam mais uns minutos de filme, e assim como a S.h.i.e.l.d foi nos filmes anteriores, poderia ter sido dado um gancho para ser melhor explorada nas continuações. E já dá uma boa sessão tripla ver Homem de Ferro-I, Thor e Capitão América, antes de assistir aos Vingadores.
VALE DOIS INGRESSOS
A Rede Social

Já começo meu texto dizendo que Rede Social merece dois ingressos. É certo que durante 1 h 15min de filme eu ficava me perguntando o porque daqueles irmãos gêmeos insistirem em processar Mark (Jesse Eisenberg) por uma idéia que não foi deles, algo que o reitor de Harvard faz exatamente o mesmo questionamento, de porque eles não criaram um site novo? Ora bolas. Mas, após a aparição Sean Parker (Justin Timberlake), o criador do Napster, e velho "chapa" do Metallica, o filme engrena de forma espetacular. Pois, você vê que não passou aquela primeira hora de filme à toa, que cada fato relatado desde o início da projeção, tinha o seu que de relevância, a paixão platônica pela ex namorada Érica (Rooney Mara), a amizade de Mark e Eduardo(Andrew Garfield), a criação da ferramenta do The Facebook, que perderia o The por uma sugestão esperta de Sean. Enfim, é hilário, o contraste entre a diversão dos nerds com o FaceMash versus a dos veteranos com lindas calouras fazendo strip poker, o que demonstra como David Fincher não perdeu o seu dom de relatar a sociopatia de personagens. No primeiro diálogo do filme entre Érica e Mark, se vê a preocupação do nerd se inserir em um grupo social, tal como o alterego de Tyler Durden em Clube da Luta. “O homem é um animal social”, já disse alguém, e enfim, não importa se você é um nerd ou um remador, os anseios dessas duas classes se equivalem quando há uma obsessão pelo sucesso. Pensando nisso, é interessante pensar que os irmãos gêmeos mimados e ricos(Armie Hammer), se preocupem tanto em obter a criação de Mark, pois nas palavras do próprio, é a primeira vez que as coisas não saem conforme o desejo de ambos, e atletas competentes e ricos tem qualidades que faltam a Mark que como foi dito pela sua amada Érica é o tipo dela. Em contrapartida temos o nerd que acaba ficando rico com sua idéia brilhante. Mas, o dinheiro traz felicidade? Será que uma amizade pode acabar por causa de 0,3% de um negócio?Será que se um dia você se tornar bilionário, isso te fará esquecer a sua paixão de faculdade?Perguntas bobas eu sei, mas não é mais bobo questionar se um pião caiu ou não? A rede social será um clássico para a geração 2.000, assim como Curtindo a vida adoidado foi para a geração 80? Só o tempo dirá, isso se não escreverem antes no Facebook.
VALE DOIS INGRESSOS
TRON

Tron, O legado poderia ter superado Matrix com seus vários conceitos de criação de um novo universo, e novas vidas desse universo tecnológico, mas freiou seus impulsos no momento decisivo. É bem verdade que fechou com chave de ouro a temporada dos blockbusters de 2010, um ano que teve Inception como um dos concorrentes, e cuja a covardia na distribuição do filme Scott Pilgrim, um ótimo filme que infelizmente teve só três cópias enviadas para o Brasil, fez com que as grandes platéias brasileiras, deixassem cair o maxilar apenas após a exibição de Tron, O legado. Infelizmente todo o conceito criado na obra de 1982, não foi suficiente para que o filme não caísse no piegas lugar comum. O zizage de moto de Sam Flynn ao som de sintetizadores ainda no mundo real, me causou muito mais emoção do que a disputa de motos dentro da Grade, salvo quando a corrida de motos sofre a interferência da linda Quorra (Olivia Wilde), a última ISO, pilotando um carro de corrida. Por exemplo, a curva de 90.° do primeiro filme foi dispensada do novo por a equipe de efeitos especiais considerar que ficaria ridícula nos tempos de hoje. A luta de gladiadores com os que vou chamar de “discos de vida”, realizada nos dias de hoje faz ruborizar os realizadores da luta de discos do original de 1982, realmente o salto de tecnologia realmente atesta que a continuação de Tron foi realizada no ano certo. No entanto, eu que vi o primeiro Tron na minha tenra infância, filme esse que não teve tantas reprises assim, não entendo a importância do Tron neste universo. Sei que ele luta pelos Usuários, mas no contexto do Tron, Legacy, o personagem(Bruce Boxleitner) perdeu a sua importância, tornando Clue(Jeff Bridges), o grande diferencial no filme, na faceta de um tirano responsável pelo massacre dos ISOs criaturas que nas palavras de Kevin Flynn (Jeff Bridges) surgiram do nada como a chama, e falando do contexto emotivo, acho que faltou alma. Quantas vezes Sam e Quorra se beijam no filme? Nenhuma. Há coisas muito legais como o apartamento de Kevin Flynn retratando seu desejo de fugir da “equação”, tendo livros empoeirados, Julio Verne um deles, o preferido de Quorra, e sem dúvida a maneira como Kevin, se torna um Dalai Lama, e é lindo o efeito especial aquela luz com pequenos feixes subindo, é muito maneiro, e é muito legal a cena em que Kevin está presente na discoteca de Castor (Michael Sheen), e um dos programas se ajoelha fazendo reverencia, e a trilha sonora, tem que ganhar todas as premiações jurados, é bem merecido, mas para por aí. Clue(Jeff Bridges) que viria a combater a dita “tirania” dos Usuários no clímax do filme quando “tememos” finalmente o contato do mundo virtual com o mundo real sendo travada uma verdadeira guerra, o que faria muito bem ao filme até para alimentar a pretensão de realizar uma continuação, mas não a opção pelo final feliz, evitando aquilo que seria o verdadeiro encontro de Matrix com o Exterminador do Futuro e um mar de possibilidades foi jogado fora, infelizmente. Como diversão, é ótimo, é divertido, uma festa para os olhos com seus efeitos especiais, mas está longe de estar tão a frente de seu tempo quanto o Tron original . Como atração em 3D, em poucos momentos percebi a diferença, a não ser quando Tron e Sam gladeiam, e nos momentos em que era atirado um arpão, mas fora isso. Ah, sim Daft Punk de volta as pistas com força.
Estreiando aqui minhas classificações de filmes, Tron, Legacy, vale Dois ingressos.
Super 8
É complicado quando o pano de fundo de uma estória se torna mais interessante que a própria estória em si. E simplesmente é o que acontece com Super 8. A ambientação no final dos anos 70, (aliais uma especialidade da equipe de JJ Abrams perceptível desde a série Lost, relativa a ambientações de época), com direito a easter eggs de Star Wars e uma capa de uma revista da Detective Comics com o Coringa e Batman na capa, o surgimento dos primeiros walkman, e com direito a Blondie, e o relacionamento das 6 crianças do filme: Joe Lamb (Joel Courtney), Alice Dainard (Elle Fanning), Charles Kaznyk (Riley Griffiths), Cary (Ryan Lee), Martin (Gabriel Basso), Preston (Zach Mills), são muito mais interessantes do que trama governamental/alienígena que JJ Abrams queira contar. Mas, o filme, é claro, tem seus momentos charmosos, como por exemplo, a cena em que Alice e Martin ensaiam com um suposto figurante, e Alice consegue impressionar transmitindo toda a emoção que a cena lhe exigia. E sem dúvida Ellen Fanning faz bonito tanto sendo a mocinha do curta O Caso, quanto nas situações difíceis encaradas por Alice, como o seu relacionamento conturbado com seu pai. É muito legal a cena em que Joe orienta Alice a como atuar como uma zumbi, e este com um olhar fascinado a vê se aproximando com os trejeitos de zumbi, até que esta inadvertidamente beija o seu pescoço. E falando dos pontos em comum entre Joe e Alice, realmente o filme cai no velho clichê de que para ter crianças partindo para uma grande aventura, deve-se por sua vez anular a figura dos pais, e um dos caminhos mais fáceis para isso é torna-lós órfãos. É sem dúvida tocante a cena em que assistindo um vídeo numa super 8, Joe se ve junto a sua mãe em tenros momentos de sua infância, e Alice fica triste por um suposto acidente que envolveria seu pai. E sem sobra de dúvida Joe lembra em muito Elliot de ET, O extraterrestre, e o Super 8, no que tange o lado homenagem ao estilo do mestre Spilberg, se sai muito bem, mas no que se trata de contar uma nova estória que impressione, fica muito aquém. O monstro da expectativa realmente foi criado com o ótimo teaser trailer da criatura amassando a porta de metal por dentro, o que é decepcionante no filme, que a cena é feita do ângulo de Joe. E muito mais decepcionante quando finalmente vemos a criatura. Aliais eu já devia saber que JJ Abrams + Monstros = Decepção, e isso sempre. Antes tivesse escolhido zumbis, pois o filme ganharia um tom de surrealidade bem mais interessante.
Super 8 em si merece apenas Um Ingresso, mas o curta exibido nos créditos O Caso merece Três Ingressos, no fim das contas Super 8...
VALEU DOIS INGRESSOS